Algumas pessoas criticam esse hábito de dividir o ano em 12 meses e comemorar o final de um ciclo e o inicio de outro, e assim sucessivamente de 12 em 12 meses. Eu acho isso ótimo, pois do contrário a vida seria um tédio. Teríamos um grande começo ao nascer e depois um triste fim, pelo menos para os que aqui ficam.
No último dia 14/02/2011 eu me dei conta que além dos 12 meses, nós podemos dividir a vida em blocos maiores de tempo:
- Do meu nascimento ao meu casamento eu tive uma vida extremamente feliz. Meus pais me deram tudo ao alcance deles, em todos os quesitos possíveis (material, psicológico, sentimental, etc...). Muitos amigos se aproximaram, outros se afastaram. Estudei sem parar desde o 1o grau até a faculdade. Sai de balada, viajei com familia e amigos. Arrumei umas namoradinhas e com elas aprendi o que precisava para migrar da Vida 1.0 para a ....
- Vida 2.0 considero o casamento. Sair de casa, dividir responsabilidades, amor e carinho, tarefas do dia-a-dia, felicidades e frustrações com alguém que planejou com você estar ao seu lado até a morte nos separasse. Tenho uma esposa maravilhosa, e com ela passamos por ótimas experiências. Foi então que decidimos juntos encerrar a Vida 2.0 e começar juntos uma nova fase.
- Na Vida 3.0 tudo muda novamente. Só que muda muito. Com a chegada da Cecília eu de fato percebi que a vida não seria mais como era antes. Não é o casamento com uma pessoinha junto, da mesma forma que a Vida 2.0 não foi uma Vida 1.0 com pequenos ajustes. Só que sair da segunda versão para a terceira requer um preparo maior e mais disposição do que na mudança anterior. A responsabilidade é muito maior.
Tirando toda essa metáfora de lado, de fato hoje me considero uma pessoa abençoada. A Cecília, minha filha, é um anjo. Me peguei olhando para ela por uns 30 a 40 min enquanto ela dormia. O tempo não passou. Eu simplesmente estava em êxtase. E isso por várias vezes. Ela consegue me fazer falar de uma maneira mais boba, e dizer coisas que somente ela pode entender e eu jamais me atreveria a dizer para um adulto.
Quando as pessoas dizem que "você fica estressado, desgastado, cansado, acabado, mas mesmo assim vale a pena", penso que agora eu sei do que elas estavam falando. Muitos me diziam que "só passando por isso para entender o que é". No momento que a obstetra disse "pai, pode ficar de pé se quiser, pois ela vai nascer", naquele exato momento eu descobri o que as outras pessoas queriam dizer por valer a pena. É uma sensação indescritível. A pessoa teria que ser muito insensível para não sentir nada neste momento. É como se uma força divina suprema chegasse por trás e te desse um tapinha divino nas costas dizendo "agora é com você". Eu descobri mais uma faceta do que chamamos amor, que só seria possível com a chegada dela.
Sou grato por minha filha e espero corresponder a todas expectativas dela. Que eu possa contribuir significantemente para sua vida e para que ela seja a melhor pessoa que ela puder ser. Farei minha parte da melhor forma possível. Isso eu prometo.
Bem, você que teve a paciência de ler até aqui deve estar pensando: "nossa! quanto sentimentalismo!". Se não pensar assim com certeza pensa como eu e diria aos primeiros que "só passando por isso para saber o que é".
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